quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

A taça é isto mesmo, contra todos os favoritismos a equipa pequena ganha e torna-se tomba gigantes. Neste caso nem se pode dizer que os jogadores do benfica se transcenderam porque futebol bem jogado (daquele em que se troca bem a bola e se chega com perigo à baliza do adversário) não mostraram. Também não foi preciso, pois com alguma roubalheira e muita sorte lá saíram como vencedores. Imagino a alegria que se vive para os lados do estádio pré-fabricado depois de vencer o líder do campeonato nos penaltis. Golos em jogo corrido nem vê-los (duas recargas e uma pichotada) e mesmo em vantagem numérica foram inferiores e encaixaram mais um tento (prova da superioridade do Sporting, que parecia estar a jogar em casa). No terceiro golo vê-se bem o jeito que deu a expulsão inqualificável do Hugo Viana. No fim pareciam campeões europeus com dedicatórias à "família benfiquista", aos jogadores, ao treinador e a "todos os que acreditam em nós". Enfim, é caso para dizer: "Houve taça!"

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

O desemprego

Um curso, um estágio, um trabalho. Faz sentido mas no jornalismo parece que a história tem princípio, tem meio mas não tem fim. Isto está muito mau. Agora é dar a cara à luta! Deixo só um conselho: não sigam jornalismo se não for mesmo essa a vossa paixão, o vosso sonho. Ir por ir, naquela do "porque até deve ser fixe", não vale a pena. Eu vou ver se a paixão me basta.

sábado, 8 de janeiro de 2005

O crime não compensa?

Imaginem que têm uma paixão. Imaginem também que se chama música. Por fim suponham que uma boa parte dela está guardada numa pasta de ficheiros chamada "a minha música". Tunk! Imaginem que se foi! Pois é!


quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

O álbum do ano

Ponderei fazer uma lista daqueles que foram para mim os discos do ano, mas depois pensei: toda a gente que tem um blog e que gosta de música fez isso. Cheguei à conclusão que não valia a pena, de qualquer modo quem se interessa pelos meus gostos, não é?
Mas deixando de lado este momento de baixo ego, é fácil (ou quase) chegar a um consenso em relação ao disco do ano. É muito dificil encontrar uma dessas ditas listas onde os Franz Ferdinand não estejam presentes e, na verdade, é perfeitamente compreensível pois trata-se de um grande disco. Assim, e sem mais nada, o Gume de Faca elege Franz Ferdinand como o disco do ano.

sábado, 1 de janeiro de 2005

Quase quase

Tenho ouvido na rádio que 2004 foi um ano em que nos lembramos mais de discos portugueses de que gostamos, em prejuízo da música feita lá fora. Eu não acho que seja assim, mas é um facto que foi um ano melhor para a música nacional, e isto em 12 meses em que a palavra crise foi a mais falada. É, claro, um óptimo sinal e a manter-se a tendência é de esperar um 2005 cantado em português, ou pelo menos tocado. Bom ano!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2004

Feliz Natal

"Tratas muito da fachada, por dentro não tratas nada" - Não me consumas, António Variações

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

GERTRUD, de Hermann Hesse

O trajecto de um jovem para quem a vida só faz sentido quando vivida com música. É provável que muita gente, como eu, se identifique, pelo menos em parte, com esta criacção de Hesse. Até uma certa idade não pensou sequer em tocar um qualquer instrumento ou em fazer da música o seu projecto de vida, Kuhn tinha apenas uma certeza: a música era parte indespensável da sua vida. Um aparatoso acidente, que o deixa debilitado para o resto da vida, marca o início de um caminho de sofrimento mas, ao mesmo tempo, projecta na personagem a capacidade de diálogo interior, sempre angustiante, que lhe permite criar com brilhantismo diversas composições clássicas. Só na criação encontra a alegria, o extâse e quando conhece Gertrud, a personagem que dá nome à obra, esse acto criativo torna-se ainda mais apaixonante. De tal modo que a ideia de não ter as duas paixões plenamente suas o levam a pensar no suicídio. A beleza da escrita do Nobel da Literatura em 1946 é aterradora, a obra é incontornável.