quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

CARTA AO PAI NATAL, POR AVELINO FERREIRA TORRES

Querido Pai Natal, dizem que o Natal é quando um homem quiser, comigo não foi bem assim. Eu sei que não me portei lá muito bem, mas fiz de tudo para me redimir, até fui mestre de obras num programa de televisão. A verdade é que, por altura das eleições autárquicas, não me apareceu Amarante debaixo da árvore, o que é injusto porque fiz um trabalho muito sério. Se calhar não sabes onde moro. Por isso, gostava que me desses o novo cd da Enya neste Natal, para eu poder usar o Amarantine como e quando bem entender. Desta vez não tens desculpa porque ficas, desde já, a saber que a minha casa fica na Rua Avelino Ferreira Torres, logo depois do Estádio Avelino Ferreira Torres, que fica no fundo de uma Avenida que se chama Avenida Avelino Ferreira Torres.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

(QUASE) DUETOS IMPREVISTOS


Nos anos 90 Rufus Wainwright fez chegar as suas músicas ao Sin-é, o mítico bar nova-iorquino, na esperança de lá poder tocar. Diz-se que não o conseguiu porque Jeff Buckley ganhou a corrida. Não sei até que ponto tudo isto é verdade, apenas sei que qualquer um deles teria sido uma aposta ganha, embora a escolha acabasse por ser a mais acertada. No Sin-é Jeff Buckley mostrou-se e partiu para uma tragicamente curta mas brilhante carreira, que o elevou ao estatuto de mito dos anos 90. Da sua discografia fazem parte algumas gravações feitas naquele exíguo espaço. Por seu lado, Rufus também não terá razões de queixa pois não precisou do Sin-é para alcançar o estatuto que actualmente tem.

Rufus é hoje um admirador confesso de Jeff (ainda chegaram a conhecer-se pouco antes do falecimento do autor de Grace) e para que não restassem dúvidas de que não guarda rancor por este lhe ter "roubado" umas actuações no Sin-é dedica-lhe o belíssimo Memphis Skyline, no aclamado longa-duração Want Two. Mas já vem de trás a ligação entre os dois, pelo menos um indicador de referências comuns. É em jeito de tributo a ambos que o Gume deixa aqui duas interpretações de Hallelujah, da autoria de Leonard Cohen. Jeff Buckley incluiu a sua no único disco que lançou, Grace, e Rufus deu voz ao tema na banda sonora de Shrek em 2001.

Jeff Buckley - Hallelujah (Grace, 1994)

Rufus Wainwright - Hallelujah (Shrek OST, 2001)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

QUE BELO MOMENTO!

Quem não se lembra da célebre assistência de Carlos Secretário para o golo do Matador Acosta? Foi no ano 2000 e jogava-se a final da Taça de Portugal no Jamor. Hoje as circunstâncias são outras e os protagonistas mudaram quase todos. Só fora das quatro linhas é que tudo permanece na mesma: a mesma rivalidade, a mesma paixão e a mesma vontade de ganhar. Eu vou estar no Dragão acompanhado de grandes sportinguistas e, mais ao longe, de um daqueles andrades sem emenda, a aproveitar o bilhete que recebi como prenda de aniversário. Pelo menos, entre nós, só regressa a casa um adepto triste. O problema é que é ele quem vai conduzir e psicológicamente abalado nunca se sabe do que poderá fazer a tão ilustre lagartagem!

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

A MORTE É UMA BELA MULHER

E se no ano de 2006 ninguém morresse em Portugal ou numa outra qualquer nação do mundo? E se a morte resolvesse simplesmente não actuar? Seria uma dádiva ou o pior dos males? Neste romance Saramago desenvolve todas as consequências desta hipótese, tão absurda como absolutamente irresistível. O Nobel português mostra como o inicial regozijo perante a ausência da mortalidade se transforma rapidamente num verdadeiro caos. Que seria da religião sem a morte? Como se rege um país onde todos se julgam imortais? Que fazer com os milhares de doentes terminais, ou em estado de morte suspensa, sabendo que irão permanecer assim indefinidamente?

Saramago brinca com o mito da imortalidade, colocando em análise o amor, o desejo e a vida. A morte ganha forma, a de uma mulher, e passeia-se entre os vivos. "No dia seguinte ninguém morreu".

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

ESTES TIPOS PARTEM TUDO!


Do Reino Unido chegam notícias entusiasmantes. Chamam-se Test Icicles e lançaram no fim do mês de Outubro o seu disco de estreia For Screening Purposes Only. Se o nome não for sugestivo o suficiente posso acrescentar que no passado a banda chamava-se Balls. Pois é, um nome típico de uma banda de adolescentes, com tudo mais que isso significa. Neste caso, irreverência, energia e vontade de simplesmente partir tudo e não deixar nada em pé. O álbum é feito de ritmos vigorosos, guitarras agressivas e vozes por vezes levadas ao limite das capacidades do vocalista Sam Merrann. Basta ouvir Your Biggest Mistake, que abre o disco, e percebe-se de imediato as intenções deste trio londrino e o porquê do álbum ter sido lançado no Halloween (uma curiosa jogada de marketing). Canções como Pull the Lever, Catch It ou Boa vs Python são bem capazes de nos pôr os cabelos em pé, e são todas bem orelhudas. E já que estamos a falar de temas orelhudos os Test Icicles tem um que é candidato a Música Orelhuda do Ano, Circle Square Triangle, terrívelmente contagiante.
Quem está com vontade de ouvir um disco punk-rock, que é uma verdadeira descarga de adrenalina, como já há muito não aparecia, este é um daqueles a não perder.

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Leão debaixo de fogo

Os Delfins são os autores do hino comemorativo do centenário do Sporting, intitulado Leão de Fogo. Desta premissa podem ser retiradas duas conclusões:
1ª- O hino comemorativo do centenário do Sporting deve ser muito mau.
2ª- Os restantes músicos portugueses não percebem nada de futebol.